APP será a primeira a oferecer papel para máquina de alta performance da HP
A sino-indonésia Asia Pulp & Paper (APP) saiu na frente das concorrentes nacionais e será a primeira companhia a oferecer localmente papel especial cortado para uso em impressoras de alta performance da HP Indigo. O produto importado será testado por clientes da HP nos próximos dias.
A companhia brasileira mais avançada no desenvolvimento de um papel com tais especificidades é a Suzano Papel e Celulose. “A Suzano está analisando o produto e acreditamos que o papel da empresa chegue ao mercado dentro de um ano, no máximo”, revela o gerente de Desenvolvimento de Negócios e Suprimento da HP Indigo, Fernando Roso.
O executivo destaca que modelos mais simples de papel também podem ser usados no equipamento, utilizado principalmente em tarefas de impressão em gráficas rápidas. A diferença, no entanto, é a qualidade final da impressão. “A tinta dessas impressoras tem melhor performance de adesão em papéis com índice de lisura e alcalinidade maiores, além de uma umidade mais controlada”, afirma o executivo.
A atratividade deste mercado está na expansão dos negócios dos clientes da HP que utilizam os equipamentos de impressão de altíssima qualidade. De acordo com Roso, o crescimento médio dos negócios dessas empresas supera os 100% ao ano. A demanda atual está entre 4 milhões e 5 milhões de folhas no formato A3 por mês.
A principal diferença entre o papel que passará a ser importado pela APP e os itens especiais já disponíveis no mercado doméstico é o formato do produto. Atualmente, apenas empresas européias vendem esses papéis especiais no Brasil, mas em formatos maiores. “As empresas precisam cortá-los e têm perda de 5% a 12%”, afirma Roso.
O produto da APP, por sua vez, será vendido já no formato cut size. “Acredito que este mercado tenha um potencial de 3 mil toneladas anuais de papéis”, afirma o gerente geral da APP no Brasil, Geraldo Ferreira. Apesar de o volume ser baixo quando considerado o tamanho do mercado papeleiro nacional, as margens do produto e o impacto deste segmento nos negócios locais da APP são expressivos.
A APP vendeu aproximadamente 40 mil toneladas de papéis no Brasil em 2007 e atingiu faturamento próximo a US$ 41 milhões. Para este ano, a meta é atingir receita de US$ 60 milhões, alta de aproximadamente 45%, e vendas de aproximadamente 50 mil toneladas, uma expansão de 20%. Tais números comprovam que, além de ganhar participação de mercado brasileiro com produtos tradicionais, como o papel couché, a APP irá apostar na importação de produtos especiais para atender mercados ainda não explorados por empresas locais.
Geraldo Ferreira, que atua há 23 anos no segmento de papel e celulose e já trabalhou em empresas como Suzano e Ripasa, revela que a principal meta da subsidiária brasileira, que abriu um escritório comercial no país em meados do ano passado, é colocar o Brasil na lista de países relevantes para a APP. Para isso, a empresa pretende superar vendas de 100 mil toneladas anuais.
Atualmente, a taxa de importação sobre os produtos trazidos ao Brasil pela APP oscila entre 12% e 16%, o que limita a atuação local da companhia. Apesar disso, a fabricante é, ao lado de outros grupos asiáticos, uma ameaça para os fabricantes brasileiros, principalmente em decorrência da atratividade das importações com o dólar na casa dos R$ 1,60.
A APP é uma das dez maiores fabricantes de celulose e papel do mundo, com produção anual superior a 13 milhões de toneladas, dos quais cerca de 10 milhões referentes a papéis. Além disso, a empresa prepara uma expansão que elevará sua capacidade de papel para 13,5 milhões de toneladas anuais até 2013.
Para abastecer suas atuais unidades, a APP comprou de outras empresas 250 mil toneladas de celulose no ano passado, volume que deverá dobrar nos próximos seis anos graças à ampliação de capacidade da empresa. Entre seus fornecedores estão as brasileiras Aracruz, Cenibra, Suzano e Votorantim Celulose e Papel (VCP). As duas últimas, além de parceiras da APP no segmento de celulose, são concorrentes na área de papel no Brasil.
(André Magnabosco)
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