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Indonésia - Origens

História

Há vestígios na Indonésia que indicam presença humana desde o Período Neolítico, mas as evidências históricas remontam ao princípio da era cristã, quando os diferentes reinos do grande arquipélago iniciaram o comércio com a China e a Índia.

A partir de 300 a.C. as tribos mongóis originárias do continente asiático se instalaram no arquipélago da Indonésia e promoveram casamentos inter-raciais com membros da cultura local. Uma onda de imigrantes das tribos indo-arianas originárias do sul do continente asiático também seguiram para lá.

Do século VIII ao XV, as influências das religiões hindu e budista, originárias da Índia, se alastraram pelo arquipélago, produzindo um período de vastos reinados e grande incentivo às artes. Borobudur, o maior monumento budista do mundo, foi erguido no século IX na região de Java Central.

De 1292 há referência às jornadas por Java e pelas Ilhas das Especiarias por Marco Pólo, que velejou pelo Estreito de Malaca, com escala em Sumatra, onde foi introduzida a cultura islâmica em 1400, mais tarde se alastrando pelas outras ilhas, com exceção de Bali e de outras mais remotas.

No século XVI, os poderes marítimos europeus lutaram pelo controle dos valiosos mercados de especiarias, culminando com o domínio holandês, através das Companhias das Índias Holandesas Orientais, por um período de mais de 350 anos.

A hegemonia japonesa no arquipélago se deu em 1942, durante a ocupação na Segunda Guerra Mundial. Após a rendição do Japão para as tropas aliadas, os holandeses tentaram recuperar o controle da região, mas a Indonésia declarou independência sob a liderança de Sukarno e Hatta, fundadores do partido Movimento Nacional.

Sukarno, então, se torna o primeiro presidente em 17 de agosto de 1945, quando nasce um novo Estado-nação: a República da Indonésia.

Origens

A cada século, as ilhas ganharam nomes diferentes: Sriwijaya, Majapahit, Mataram, Ilhas Spice, Índias Holandesas e Indonésia a partir de 1945. Elas abrigam um dos povos mais antigos da terra, e as descobertas arqueológicas nos levam até o “homem de Java”.

Estudiosos acreditam que os malásios, a maioria da população indonésia, junto com os filipinos, apareceram há aproximadamente 4.500 anos. Muitas ondas de assentamentos no arquipélago explicam a formação de seu povo, que hoje soma 200 milhões de habitantes com mais de 300 grupos étnicos e idiomas e dialetos diversos. A população da Indonésia é composta também por árabes, chineses, papuas e outros povos.

Desses grupos, os mais numerosos e influentes culturalmente, na Indonésia, são os javaneses, habitantes de Java Central e de Java Oeste, os sudaneses, o povo do norte de Sulawesi, Minhasan, os bugis de Makassars e do sul de Sulawesi, e, é claro, o povo de Bali, famoso por sua resistência às mudanças culturais.

A Indonésia é também a casa de ricas etnias e de povos indígenas, tais como os dani, asmat e outras tribos de Papua Nova Guiné, onde estão os melanésios, os povos das ilhas de Nusa Tenggara, os dayaks de Kalimantan (Bornéu, a parte que pertence à Indonésia) e os batak do norte de Sumatra.

A Indonésia tem ainda um subgrupo étnico – o minangkabau, de Sumatra Oeste – em que a cultura é matriarcal e as propriedades passam de mãe para filha e não de pai para filho.

A cultura indonésia tem se desenvolvido com diversidade, formando um mosaico de artes e outras atividades culturais muito expressivas. Das artes tradicionais, a música nativa (a gamelan), o teatro wayang (marionetes), ambos de Java, e as danças de Bali são conhecidos no mundo todo, bem como os batiks javaneses e os tecidos (ikat) de Sumatra e das ilhas Nusa Tenggara, que apresentam formas de expressão riquíssimas e belas cores.

Muitos grupos étnicos da Indonésia, como os batak, dayak, nias e os asmat, têm desenvolvido formas artísticas particulares, tais como objetos cerimoniais e de uso comum desses grupos, em madeira e também com motivos únicos em pedra.

Os padrões utilizados podem ser observados pelo desenvolvimento religioso no país. A Indonésia tem sido influenciada pelo budismo, hinduísmo, islamismo e pela religião cristã. Atualmente, 87% da população indonésia é muçulmana, 9%, cristã e 2%, hindu.

É uma nação com diversidade cultural e tradições milenares conservadas até hoje, como se pode perceber no seu cotidiano. Diferentes culturas e etnias, que têm mantido suas tradições, idiomas e dialetos, são protegidas pelo “adat”, um código de conduta (lei tradicional) que une as famílias e as comunidades, e se aplica à realidade de cada comunidade.

Entende-se por "adat" os hábitos, regras, costumes e conceitos legais que têm prevalecido desde datas longínquas nas relações entre os indonésios. Tudo está relacionado com o "adat", e atentar contra ele significa ficar excluído da comunidade, aldeia ou família, que é para os indonésios o fundamento de sua vida.

Um dos mais importantes tratados na Indonésia, o “Gotong-royong”, versa sobre assistência mútua entre povoados e vilas, mantendo para a posteridade a herança do “adat” e os valores tradicionais da cultura da Indonésia.

As culturas dos povos têm se originado, desde os primórdios, de sua agricultura, e foi influenciada pelos comerciantes e missionários da Índia, China, Arábia e Europa, que agregaram as religiões de cada região. A influência ocidental aparece na Indonésia com a chegada dos portugueses, que estavam à procura de especiarias, e depois dos ingleses e holandeses.

O passado hindu dos indonésios está presente nos contos épicos e dramas como o “Ramayana” e o “Mahabharata”, que foram amplamente absorvidos pela cultura balinesa e adaptada à cultura local da Indonésia.

Muitos concordam: o que torna a Indonésia inesquecível não são as praias, a comida, os vulcões, o trânsito, o “adat” e o arroz, mas sim o povo indonésio, que figura entre os mais hospitaleiros, amigáveis, joviais, simpáticos, sinceros e afetuosos do mundo.


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